Lixo, consumo e até ópera

Parece que consumo racional e uma vida mais leve vêm sendo mais discutidos nos últimos tempos.

Neste mês, inclusive, a Revista Galileu colocou o tema na capa. Com o título (bem bom) Você precisa mesmo de tudo isso?, confesso que achei que fosse especificamente sobre minimalismo. Mas o texto aborda assuntos relacionados, como reciclagem, desperdício, desapego. Traz exemplos de pessoas que decidiram mudar o estilo de vida para algo que não cause tanto impacto no planeta.

A matéria, num certo momento, menciona uma conclusão a que o psicólogo Tim Kasser chegou em suas pesquisas. Segundo ele, os materialistas costumam ser menos felizes e ter menos satisfação na vida, ser mais ansiosos. Para mim, parece meio óbvio que colocar a sua felicidade em qualquer coisa externa a você é uma roubada. Se for algo que estraga, quebra, pode ser tirado de você, perde a validade, então essa felicidade é vulnerável. Acumular coisas parece uma ideia ainda pior, porque não tem fim. As pessoas que conheço que gostam de comprar – do ato, da sensação que lhes dá possuir o objeto, do que ele “promete”–, nunca param. Bom, às vezes, pessoas desse tipo param, quando a grana acaba (algumas, nem assim). Acho que nunca fui desse jeito, mas conheço a sensação. Sabe como é? Pega uma revista feminina, uma NOVA da vida. Folheia a publicação inteira com atenção média e veja como se sente um tempo depois. Parece que a gente só vai ser feliz se tiver aquele batom lindo, aquela bolsa cara, aquele vestido da moda ou (sim, chega a esse ponto) se conquistar aquele tipo de cara. Deixa eu parar.

My american way of life
Mãe, olha eu empilhando os vidros de geleia e derrubando tudo

No texto, a Carol Castro (a jornalista, não a celebridade) comenta sobre o surgimento do american way of life após a Segunda Guerra Mundial. Nesse ponto, a professora da FGV Isleide Fontenelle conta que o consumo, antes de virar um estilo de vida, era malvisto, como uma doença. Engraçado como são as coisas, né? É difícil até de imaginar como era esse tempo.

Há uma entrevista curta com Bea Johnson, que é considerada mãe do conceito de desapego. Ela conta como foi reduzir o lixo a praticamente zero em uma família de 4 pessoas. Acho que nunca conseguiria chegar a esse ponto (não sei se quero abdicar de tantas coisas, esse é o nível hard do rolê), mas ela comenta que é preciso “recusar a entrada de lixo desnecessário na sua casa.” Já venho pensando nisso faz um tempo. Nas férias, aproveitamos e fomos a várias exposições e espaços culturais. Como sempre, peguei o folder de uma delas, mas depois fiquei pensando: pra quê? Eu guardo e nunca mais olho. Só ocupa espaço na minha casa. Parei de pegar.

A regra tem suas exceções – a gente precisa se permitir quando faz sentido. Por exemplo, eu AMO ópera e coleciono os libretos de todas aquelas que vi. Não vou me desfazer disso, de boas, porque me faz feliz e é fonte de consulta pra mim (veja o meu outro blog, o Silence Reports). Então, eu guardo e coleciono. Mas se o papel serve de referência e não tem valor estético (tipo handout de palestra), digitalizo e jogo na nuvem.

Se tiver oportunidade, leia o texto da Galileu de setembro. É legal para pensar um pouco sobre como a gente se coloca no mundo, nosso impacto aqui e ver pessoas que aceitaram o desafio (meio doido, às vezes) de mudar totalmente o jeito de viver.

Uma amostra da matéria: Revista Galileu, set. 2017.

Foto da capa: winnond/Free Digital Photos

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Casa da sogrinha

Férias! Que delícia! Descansar (não é o meu caso), curtir, botar a cabeça para esfriar… O projeto parou temporariamente – meu aprendizado e coleção de boas ideias, não!

Agora, em agosto, tirei umas semaninhas para desacelerar (mais ou menos) e fui para Foz do Iguaçu conhecer meus sogros e cunhados e, claro, passear.

Em um desses dias úmidos de Foz (que saudades daquela umidade – estou escrevendo com um inalador na cara ><), estávamos conversando minha sogra e eu, e ela me deu uma dica incrível para me ajudar com o blog.

Ela é uma pessoa bem ativa, lê e estuda muito. Estava me contando como faz para organizar a montanha de materiais que ela reúne para as pesquisas dela. E solucionou um dilema que eu tenho desde sempre.

Quem me conhece, sabe que eu ADORO o LinkedIn (nossa, como a conversa passou da minha sogra para essa rede de contatos profissionais mara?). E um drama é salvar as matérias para ler depois. O LinkedIn tem uma ferramenta, que aparece como uma bandeirinha ao lado do título da matéria, para você salvar o que achar interessante para depois. Salvo? Sim. Lembro de consultar os artigos salvos no meu perfil? Nunca.

Lionel Wally
Lionel “Onde Está o Wally?” Richie

E aqueles prints do Twitter com frases inspiradoras, ideias que pedem para ser colocadas em prática, ou besteiras mesmo? Esquece, já enfiei tudo no Dropbox e não consigo achar mais, tá tudo misturado.

Daí vem a amiga e fala: Gi, olha essa matéria, tem coisas superlegais para você e seu projeto! Cadê? Perdida em alguma conversa do Whatsapp.

Até minha sogrinha esperta vir com uma solução simples, mas que adorei desde o início. Ela cria pastas em seu notebook e coloca como nome um tema, tipo “Existência simples”. Lá, ela coloca tudo o que lhe aparecer sobre isso: links de matérias, PDFs, imagens, prints, o que você imaginar.

Como tem tudo a ver com essa minha nova vibe, resolvi compartilhar com vocês 🙂

Agora, de volta à minha casa, retomei o projeto. Logo, conto novidades!

Foto destacada: as belas Cataratas do Iguaçu em um quente dia de sol! Pode pegar a foto se gostar, mas me credite 😉

Trilha sonora: o som do meu inalador…

Centopeia

Em um intervalo do trampo (sou tradutora e trabalho em casa), aproveitei para avançar na doideira (que estou chamando de Projeto Minimalismo Kondo). As vítimas da vez? A noção de que preciso de muitos sapatos.

Engraçado, porque nunca fui a louca dos sapatos, mas minha mãe a-do-ra! E meu pai trabalha em um lugar que tem uma boa loja de sapato. O que acontece é que meus pais volta e meia me presenteiam com um par, e também herdei uns de familiares. O que fazia? Pegava e colocava tudo na sapateira, mesmo aqueles que machucavam meu pé depois de andar míseros 100 metros com eles…

Bom, o que fiz: primeiro, tirei toooodos os meus sapatos baixos e sandálias da sapateira e os espalhei pelo chão do quarto. Foi bom visualizar cada par dentro do conjunto, porque, para mim, ficou mais fácil ver os repetidos (por exemplo, tinha 3 sandálias pretas de salto alto – a última vez em que usei uma, aliás, foi há 1 ano e meio!). Ficou assim:

Sapatos antes parte 1
Só pensei: pra que tanto?

Em seguida, já separei o que havia de muito similar – tirei do grupo a sandália preta no alto mais à esquerda. Então, dei aquela escaneada, separando os pares que, de cara, não me fazem sentir bem. Nessa, quem deu adeus foi uma bota (que estava de penetra nesse grupo). Daí, respirei fundo e separei os sapatos que até acho bonitos, mas que me machucam (como um peep-toe bege de lacinho violeta). Aproveitei para jogar fora um pé solitário de chinelo, porque não encontrei seu par. Mesmo se encontrasse, como ele estava feio, seria expulso de casa. O resultado modesto:

Resultado sapatos pt 1
Melhorzinho, hein?

Juntei minha coragem e passei para a próxima fase, a dos sapatos de salto e botas (e um All Star penetra):

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Tem coisa aí que tá fazendo hora extra no mundo

O que predominou nessa rodada foi o conforto. Sapatos que me machucavam caíram fora: a bota de cadarços vermelhos e os 2 saltos de laço (que parecem ser da marca Sex, mas chama Xis mesmo ahahaha). O que sobrou:

Resultado sapatos pt 2
Um pouco de conforto, por favor

No total, fiquei com 13 pares a menos. Desses, 8 doei para o bazar do Centro Espírita e 5 coloquei à venda para as amigas.

Durante o processo, ouvi minha playlist Fun, no Spotify, para me animar um pouco. Você pode ouvi-la aqui.

Sinto o quarto mais leve, acredita? E a sensação é realmente física! Como será quando chegarmos nas categorias com mais itens: roupas e livros?

Latinha de canetas

Naquela vez em que fui organizar e me desapegar de pulseiras, colares e tal (leia aqui), acabou sobrando uma latinha vazia, em que guardava algumas dessas coisas. Ela é bem simpática e (assumo) fiquei com dó de me desfazer da redonda. Pouco tempo depois, ganhei um quadro branco do André, meu cunhado, e vieram as canetas junto. Adivinha? Descobri uma nova função para a latinha – agora, tenho as canetas à mão, para escrever quando quiser!

Ressignificar

Bolsinha Pri minha.jpg
O que não é útil para um é uma mão na roda para outro

Algo que está realmente me motivando a passar algumas coisas para frente é a ideia de dar um novo significado para elas.

Um dia, estava na casa do Rodrigo, meu namorado, e a Pri, namorada do André (meu cunhado) não queria mais uma bolsa – pequena, daquelas laterais – e perguntou se eu a queria. Putz, estava precisando mesmo de uma para deixar lá e aceitei. Já usei tanto essa bolsa que ía ser descartada, que, como diz o meu pai, ela até se pagou (se tivesse sido comprada).

Hoje, quando separo algo para dar, doar ou vender (falo sobre isso em outro texto), penso que aquilo será útil ou bom para alguém. É melhor do que ficar parado em uma estante ou gaveta, abandonado.

E vou ajudando a ressignificar coisas, mesmo que esse verbo não esteja no dicionário.

Muitas pulseiras para poucos pulsos

Por que eu tenho tantos brincos, tantos colares, tantas pulseiras e tantos anéis se tenho duas orelhas, um pescoço, dois pulsos e dez dedos?

Hoje, sentei, juntei toooodas as minhas caixinhas de acessórios (não eram poucas) e fiz aquela primeira separação marota, aquela que abre caminho para medidas mais arrojadas. Olhei peça por peça e, como Marie Kondo ensinou em A mágica da arrumação, analisei quais me deixavam feliz – quais me faziam sentir mais bonita. Para muitas, olhei e fiquei pensando na pessoa que dedicou um tempinho do seu dia para me comprar aquele presente. Quando vi que isso me desmotivava a dar um novo lar para aqueles objetos, inspirei-me de novo na Marie e pensei: “Esses presentes já cumpriram a sua função de me alegrar com a atenção dessa pessoa. Agora, é hora de irem embora”. Como ficou mais fácil assim! Depois, joguei fora o que estava feinho ou quebrado.

Coloquei tudo em sacolinhas para levar ao bazar do Centro Espírita que frequento, como uma forma de ajudar a gerar renda para pagar os alimentos que são preparados e entregues aos moradores de rua, o material usado nas aulas para pessoas mais pobres, e quitar contas de luz e de água da casa, entre outras muitas coisas.

Aí estão os objetos que, com certeza, farão outra pessoa mais feliz:

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Acessórios que se vão

Ah, e nessa jornada ainda encontrei o par de brincos e o colar que ganhei dos meus pais aos 15 anos ♡♡♡.

Fonte da foto de abertura: nalinratphi (Free Digital Photos)